José Raimundo Araújo

As urnas consagraram o cidadão Augusto Castro para ser o novo prefeito de Itabuna, a partir de 01 de janeiro de 2021. Além da honra em dirigir os destinos de sua cidade, o Prefeito recebe também um grande desafio.

Itabuna, nos idos de 1960, figurava entre as cinco melhores cidades do Brasil em desenvolvimento. Dado registrado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM. Hoje, Itabuna não figura entre as cinco melhores em desenvolvimento no Estado da Bahia.

Vamos tomar, para efeito da análise - considerando a população temporária, também utilizadora dos serviços e da infraestrutura do município - que Itabuna tenha 250 mil habitantes, distribuída 98% na zona urbana, toda ela carente de bons serviços e infraestrutura que possibilite melhor qualidade de vida.

Costumo afirmar para a Turma do Kibe (grupo de amigos e pensadores da politica itabunense), que o Município precisa de menos e mais Poder.  

Onde é preciso que exista mais poder no município e onde ele precisa que o Poder se faça menos presente?

Explico minha afirmação: O Município está onde não deveria e não está onde deveria, é por isso que é menos e mais. O Município não precisa estar envolvido em atividades empresariais, (Organização do Carnaval; São João; Natal; Lavagem do Beco do Fuxico; Campanhas promocionais do Comércio; Feiras de Negócios; Exposições Culturais), e não deve subsidiar grupos privados (Transporte Coletivo de Passageiros; Coleta seletiva dos Resíduos Sólidos e Estacionamento Rotativo para disciplinar o trânsito na cidade).

Sendo assim mesmo como estou afirmando, quem financia as atividades que restaram para o município executar, tais como: Educação, Saúde, Segurança Pública.

Com a redemocratização nos anos de 1980, e a nova Constituição de 1988, optou-se por um Estado Federativo.

A princípio, nenhum problema, porém descentralizaram as atribuições do setor público, como educação, saúde, segurança, transportes e saneamento que passaram para os entes federativos (Estados e Municípios), mas não descentralizaram a autoridade para tributar, que continuou altamente concentrada na União.

Aqui nasce um problema nas finanças públicas dos municípios: o dinheiro vai para Brasília para depois voltar aos Estados e Municípios e eles passam a depender a todo tempo de liberação de verba. Isso torna tudo dependente do governo central e não é saudável. Em mais de 80% dos municípios brasileiros (não é o caso de Itabuna e Ilhéus) nada se arrecada, eles vivem da mesada intraconstitucional ou do Fundo de Participação da União ou dos municípios nos Estados. Isso é uma receita para má utilização do dinheiro público, porque o cidadão não sabe o que está pagando, para onde está indo e como está voltando.

E sobre o Troféu que Augusto Castro, o novo prefeito, recebe pela vitória?

Se aprovada da forma que foi enviada à Câmara de Vereadores, a Receita total consolidada nos Orçamentos, Fiscal e da Seguridade Social, para 2021, está estimada em R$ 633.475,000,00 (seiscentos e trinta e três milhões, quatrocentos e setenta cinco mil reais). De saída, considerando a Receita total que será realizada em 2020, o valor estimado para 2021 não será realizado, também.

O Troféu tem na sua base uma dívida flutuante da ordem de 480 milhões de reais (parte dessa dívida é com o FGTS), mas o que importa é que esta dívida precisa ser negociada para manter o município apto a receber recursos da União e assim poder realizar significativos projetos. Dentre esses projetos destaco: Saneamento Básico (execução em médio prazo); Aterro Sanitário (execução em imediata), Revitalização da Vila Olímpica (execução imediata), Revitalização do Centro Industrial (execução imediata); Revitalização do Centro Comercial (execução em imediata); Estacionamento Rotativo no Centro da cidade (execução em imediata). Outra surpresa do Troféu será autorização de pagamento de 6 (seis mil) precatórios, algo em torno de 40 milhões de reais. No orçamento de 2021 estão provisionados, apenas, 13 milhões para pagamento dos precatórios antigos, já ordenados. E para esses novos que serão ordenados em 2021?

Augusto Castro, Deputado Estadual por dois mandatos, tem trânsito na esfera Estadual e Federal para tentar captar recursos. Fernando Gomes também tinha. E quanto de Receita de Capital, para atender as necessidades administrativas do município de Itabuna foi realizado? Considerado o valor captado, insignificante.

Sendo assim, o que fará diferença entre os dois gestores será a capacidade de gestão.

Os holofotes já estão sinalizados para o novo governo. É fato. E como o novo governo, amparado pelas suas pregações durante a campanha, manterá o pleno funcionamento da máquina administrativa tendo que reduzir pessoal contratado e cargos comissionados?

Sob outro olhar, se o Município arrecadar 450 milhões, em 2021, terá, no máximo, 4% para realizar novos investimentos, e, no máximo, 8% para custeio. Resumindo: serão 54 milhões. Esse valor, apesar de expressivo, não representa nada para atender as necessidades básicas da população de 120 bairros.

O Município para realizar infraestrutura precisa de recursos financeiros, mas não tem competência para imprimir moeda. São necessários recursos transferidos da União, do Estado e carece ampliar o recurso próprio, oriundo da cobrança de IPTU, ISS, Taxas e Contribuições de Melhoria. Como? Aumentado alíquotas?

As alíquotas hoje aplicadas à base de cálculo para cobrança do de IPTU, ISS, já estão no limite constitucional, não há margem para aumentá-las, e, também, a população não suportaria um arrocho tributário com o aumento dessas alíquotas.

O equilíbrio Fiscal deve ser pauta do novo governo, que, aliado à competência administrativa, permitirá encontrar mecanismos para realizar uma grande administração, e poderá ser alcançado com: 1) Atualização Tributária Econômica e Imobiliária – não gosto do título Reforma Tributária - notadamente com a revisão do cadastro imobiliário, que permita a regularização de 30 mil imóveis, sem a cobrança de taxas; 2) Simplificação Fiscal para o Contribuinte do Cadastro Econômico; 3) Recuperação da Dívida Ativa – hoje na casa de 140 milhões.

São medidas simples, que exigem capacidade para sua gestão e devem ser adotadas por uma administração transparente, capaz e moderna.

Confirmo: Medidas simples que promoverão Desenvolvimento Econômico e Social, em nossa cidade e região.

(*) José Raimundo Araújo
Auditor Fiscal do Município de Itabuna
Vereador por dois mandatos

Produtores angustiados no sul da Bahia

A espera da prometida vinda do diretor geral da Ceplac -- o jequieense Waldeck Brito Jr., indicado ao cargo pelo ex-deputado José Carlos Aleluia-DEM -- e da Ministra da Agricultura, Teresa Cristina, de euforia está se transformando em pesadelo entre os produtores de cacau do sul da Bahia.

 E não é para menos. Os responsáveis pelos destinos da cacauicultura brasileira ficaram de vir aqui à região lançar um amplo programa para o cacau do sul da Bahia e discutir a reestruturação da Ceplac, único órgão responsável pela oferta, constitucional, de pesquisa, assistência técnica e extensão rural aos produtores de cacau.

 Só se ouve disse-me-disse e a presença dessas autoridades fica em incompreensível compasso de espera. Os produtores sentem o bom momento do cacau no Brasil e o governo federal, nada!

 No campo do puxa-estica, fala-se no desmonte do modelo Pesquisa-Extensão criado, genial e reconhecidamente, por produtores e cientistas do sul da Bahia. Ninguém no mundo fez igual e o mundo técnico-científico reconheceu o acerto da ideia.

 Pois bem, fala-se neste desmembramento onde o serviço de assistência técnica e extensão rural ficaria ao encargo de universidades e do Senar/Sindicatos Rurais. Ora meu Deus do céu, desde quando professores universitários são chegados a enfiar o pé na lama das roças para estudar problemas e apresentar aos produtores rurais as soluções?

 Quanto ao Senar, vai precisar comer muita farinha para se colocar à altura de pegar a responsabilidade de fazer as fazendas de cacau produzir satisfatoriamente.

 O que o Senar faz hoje nesta área está duramente questionado por produtores, que iniciam os estudos em seus cursos e saem todos decepcionados!  Mas, falar em instrutores do Senar e professores universitários, tem um certeiro adágio popular que diz: “quem sabe, faz; quem não sabe, ensina”... Esta é a sensação geral. E o anunciado e desastroso resultado vai pra conta de quem? Do sofrido e esperançoso produtor rural...

 O sul da Bahia aguarda a vinda dos responsáveis pelo plano do cacau. Cadê a ministra Teresa e o Dr .Waldeck? Vão dar as caras? O produtor os aguarda com ansiedade.

 Senhoras e senhores responsáveis pelo mundo institucional do cacau. Aí listamos Teresa Cristina, Waldeck Jr, Carlos Aleluia, Elmar Nascimento, João CNA Martins, o manda-chuva ministro Guedes: juízo e caldo de galinha não faz mal a ninguém... Se vem desmonte por aí, que façam, mas lembrem-se que está em jogo o destino da cacauicultura brasileira, além do destino de 4 milhões de brasileiros que dependem do cacau no sul da  Bahia. Quem avisa...

“CESTEIRO QUE FAZ UM CESTO...”

Produtores de cacau do sul da Bahia buscam na Ceplac conhecimentos para obter alta Produtividade.

Por dever de consciência para com a Ceplac e os meus colegas, queremos prestar um esclarecimento, pois, talvez seja a ultima vez que aqui nos manifestamos como militante extensionista, mesmo porque, diante das circunstancias institucionais vigentes, inexoravelmente, deveremos seguir o caminho da diáspora ceplaqueana da aposentadoria constrangida, ao invés de permanecer principalmente, enfrentando um quadro pessoal de restrições de saúde.

Nessa hora difícil da trajetória institucional da Ceplac, onde se misturam sentimentos de esperança e frustração, expressamos uma palavra de fé e realismo e, por isso mesmo, a nossa recusa a qualquer outra conotação. Falamos, já não diríamos em nome pessoal, pois é muito pouco trazermos aqui uma palavra pessoal para a importância desse momento, mas, uma palavra que traduza um pouco dos valores e dos princípios impregnados pela historia cinquentenária do extensionismo rural da Ceplac que, temos a honra, juntamente com os valorosos colegas ceplaqueanos, de fazermos parte.

Durante essa odisseia ceplaqueana, demonstramos qual era o nosso lado, não pactuamos com as manobras para liquidação da instituição, para o golpe contra a comunidade regional, contra os produtores e o segmento dos trabalhadores rurais muito menos, contra a autonomia e a importância estratégica nacional da cacauicultura do Estado da Bahia.

Sim, estamos na lista daqueles que não adotaram o silencio, que disseram não à prepotência, a falta de compromisso publico com a matriz institucional baiana e que tem absoluta crença na tecnologia do “manejo integrado do cacau de alta produtividade”, porque as lições que aprendemos com os mestres e pioneiros no percurso profissional de 47 anos na escola ceplaqueana, são indeléveis e reúnem outros pressupostos fundamentais para contribuir com o futuro melhor das pessoas.

Testemunhamos impotentes e desarticulados, no âmbito da Ceplac, sua transformação crescente num estado de inspiração, de métodos e de objetivos maquiavélicos.

Porque essa opção? Será que no cenário publico brasileiro inexistem alternativas ou estratégias administrativas de parcerias, de compartilhamentos, mais transparentes?

A dificuldade não está em compreender a utilidade da missão publica da Ceplac e, sim, em libertar-se das idéias estigmatizadas e dogmáticas de extinção do instrumental ceplaqueano, cuja orientação há muito tempo é gerada nos bastidores do MAPA e expele suas ramificações a todas as instancias cotidianas da gestão, contrariando seu papel histórico de definir as novas diretrizes e as linhas mestras para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau com repercussão no contexto do país, do estado e da sociedade regional.

Prossegue o recrudescimento de iniciativas antagônicas ao processo de fortalecimento institucional, com ações incapazes de promover a adequação do aparato de estado aos requerimentos contemporâneos da sociedade.

Entretanto, o que assistimos beira ao surreal, a exemplo da proliferação de novas listas de auditores fiscais, desta feita, sob a denominação de “comunicado”, disponibilizando vagas nos estados do Acre e Rondônia, sugerindo a auto indicação e, estabelecendo prazo.

O curioso é que até os dirigentes estão inclusos, caso do chefe do Cepex - Centro de Pesquisas e Extensão Rural da Ceplac e do chefe do Sepec – Serviço de Pesquisas da Ceplac.

O que se pretende com Isso? Porventura, os referidos dirigentes não significam nada para o interesse público e o projeto da Ceplac?

Qual o foco e a prioridade institucional? E na hipótese de ninguém demonstrar interesse nessa transferência, afinal, o atrativo não é o Paraná, Rio Grande do Sul ou São Paulo. Qual a providencia? Administrativa convencional ou coercitiva para atender ao cumprimento da “meta” de quatro vagas? Talvez, seja uma tática perversa para manter todos nós acuados, sob pressão psicológica.

Aliás, a “alta direção” vai empurrando ladeira acima, aos trancos e solavancos, a sua agenda errática. Ora anuncia de maneira açodada e amadorística a substituição do dirigente regional da Bahia. Este, por sua vez, de forma ingênua, replica a versão em várias direções. O fato demora em ser concretizado, ganha novas versões, confunde e enfraquece a todos, a montante e a jusante.

Mas, no tema promessa, nos foi dito que em janeiro do atual exercício de 2020, o segmento da extensão rural aqui da vertente grapiúna da Bahia, seria contemplado com um debate qualificado contando com a presença da ANATER e do SENAR, inclusive com a captação de recursos para investimentos estruturantes no setor.

Essa informação alvissareira na verdade, foi substituída pela divulgação da famigerada lista do SEI – Serviços Eletrônicos de Informações, com a relação de transferência de quatorze auditores fiscais da Bahia.

Um fato porem é incontestável, nesse ciclo da Ceplac, as definições são oriundas do mesmo gestor, do mesmo comando, tem o mesmo perfil e o mesmo diapasão administrativo, como uma feira, um bazar de variedades, onde se mercadeja tudo, sem preocupações de preservar, de elaborar contrapartidas, enfim uma espécie de “lesa pátria” para a comunidade sul baiana.

À nossa região, à nossa gente grapiúna, à cacauicultura da Bahia, caberá as inspirações de inteligência da sociedade local para corrigir os equívocos que foram levados pelo destino de maus conselheiros e possam, com brevidade, colher os frutos do aprendizado que merecem suas legitimas esperanças.

Lembrando daquele velho adágio popular: “Cesteiro que faz um cesto...”

Sempre extensão rural, sempre Ceplac!

Roberto Setúbal

(Extensão Rural da Ceplac), Ilhéus, Bahia, 11 de fevereiro de 2020

A única instituição responsável pela ciência e tecnologia do cacau brasileiro acaba de ser definitivamente desmontada pelo Ministério da Agricultura.

 A instituição foi estrangulada por mais de 30 anos, sem permissão de contratar ou repor um só funcionário, e, agora, recebe o golpe final: está desfeita a conexão pesquisa-extensão rural, que é um mérito construído pela própria instituição com os esforços dos produtores e dos técnicos do Sul da Bahia, mérito este amplamente reconhecido nacional e internacionalmente.

 O que podem fazer, sozinhos, os resultados da pesquisa científica, se não são transformados em tecnologias e capacitados os produtores para utilizá-los?

 Aí cedemos a palavra a dirigentes de grandes instituições de pesquisa do País: “a Embrapa está abarrotada de conhecimento científico, mas não chega aos produtores; não temos assistência técnica e extensão rural”, afirma um de seus diretores, no jornal Folha de S. Paulo.

 E assim será com o cacau em pouco tempo. Sem assistência técnica e extensão rural, agora criminosamente desmontadas, não só pela saída e aposentadoria dos técnicos, sem a devida reposição, mas pelo desmonte do modelo, com a cessão de prédios e pontos de referência dos produtores.

 Somente nos últimos dois anos vimos três diretores gerais - Maynart, Galvão e Waldeck – se sucederem ao talante das indicações políticas, todos sem um plano discutido e aprovado pelo Ministério da Agricultura e sem qualquer nível de autonomia e poder.

 O mesmo ocorre agora com a coordenação do órgão na Bahia, onde Alexandre, Melo e agora Waldo Brito – todos por indicação política – sentam-se na cadeira de “faz de conta” a engolir decisões emanadas do tal MAPA de verdadeiro desmonte da estrutura da instituição.

 Isto tudo à vista das lideranças maiores da politica na Bahia, que por sua vez não emitem um só pio... Onde está o presidente nacional do Democratas, prefeito ACM Neto, baiano, que a tudo assiste passiva e coniventemente? Onde está esta verdadeira máquina política do DEM, que ocupa o próprio Ministério da Agricultura, a Casa Civil, a presidência da Câmara dos Deputados e a presidência do Senado?

 Cadê a necessária presença do governador do estado da Bahia no âmbito dessa discussão? Acaba a Ceplac, pouco lhes importa. Fecha as portas de uma instituição – a única – responsável pela tecnologia do cacau e, mais curioso e grave: justo numa hora em que o mercado internacional vê a derrocada da produção do cacau africano, quando a Organização Internacional do Cacau reconhece o Brasil como país maior produtor de cacau superior – com demanda mundial mais que assegurada – e quando os esforços científicos e tecnológicos valida, agora incontestável,  uma metodologia de produção que assegura altíssima produtividade para o cacau.

 É, justo nesta hora, que o Brasil, seu Ministério da Agricultura e a estupidez e a irresponsabilidade dos políticos, desmontam a instituição que provê a necessária e experiente pesquisa científica, a assistência técnica e a extensão rural tirando as condições do produtor de cacau de continuar gerando desenvolvimento, empregos, impostos e milhões de dólares em divisas para o nosso País.

Os perigos da indiferença

Zugaib: região indiferente ao destino da Ceplac.

O que é indiferença? Etimologicamente, a palavra significa sem diferença. Um estranho e incomum estado no qual as linhas ficam borradas entre a luz e a escuridão, o crepúsculo e o amanhecer, o crime e a punição, a crueldade e a compaixão, o bom e o mau. Quais são seus caminhos e inescapáveis consequências? É uma filosofia? Existe uma filosofia concebível de indiferença? É possível ver a indiferença como uma virtude? É necessário, às vezes, praticá-la simplesmente para manter a sanidade, viver normalmente, aproveitar uma boa refeição e uma taça de vinho, enquanto o mundo ao redor de nós está experimentando revoltas angustiantes? Utilizo parte do discurso de Elie Wiesel romeno, filho de uma família tradicional judia que viveu nos campos de concentração Auschwitz-Birkenau, na Polônia, sob o domínio nazista, para demonstrar a indiferença com que a sociedade regional está encarando a CEPLAC nos últimos anos.

A CEPLAC que já contribuiu muito com o desenvolvimento regional e dentre as suas principais ações podemos citar: construção de universidade, porto internacional, escolas, pontes, hospitais, etc., sem contar com a pesquisa e a assistência técnica elevando o Brasil a categoria de 2º produtor mundial com uma exportação de quase US$ 1 bilhão. A CEPLAC atual que ainda continua contribuindo, claro, em menor escala. Alguns querem que ela contribua no mesmo nível do passado, mas como? se o seu orçamento se reduziu a 1/10, consequentemente sua estrutura não está sendo mantida, como se o seu quadro que já foi de 4.500 funcionários em todo o Brasil não passa de 1.900  nos seis estados em que atua. Continua se aposentando uma média de 60 funcionários por ano, somente no ano de 2014 aposentaram-se 61, sendo 22 técnicos de nível superior, 25 nível intermediários e 14 de nível auxiliar e a cada ano que passa esse quadro vai se agravando ainda mais, isto sem contar com os falecimentos. Em 2011 faleceram 22 técnicos do nível superior, 29 do nível intermediário e 15 do nível auxiliar. O mais grave é que os pesquisadores que se aposentam, não estão sendo repostos, levam consigo todo o seu saber, sem haver transferência do conhecimento.

Continua Wiesel, “É claro que a indiferença pode ser tentadora – mais do que isso, sedutora. É muito mais fácil não olhar para as vítimas. É muito mais fácil evitar as tão rudes interrupções a nosso trabalho, a nossos sonhos, a nossas esperanças. É, afinal, estranho, perturbador, estar envolvido na dor e no desespero de outra pessoa. Ainda assim, para a pessoa que é indiferente, seus vizinhos ou vizinhas não são importantes. E, portanto, a vida delas não tem significado. Suas angústias escondidas ou visíveis não são importantes. Indiferença reduz o outro a uma abstração”.

Pior ainda, alguns tentam dissimular e negar as novas ações da CEPLAC em busca do desenvolvimento regional como: os clones produtivos que a CEPLAC desenvolveu, o direcionamento em busca de um chocolate fino com alto teor de cacau, o consumo de chocolate no mundo está sendo redirecionado de um chocolate com leite e açúcar para um chocolate com alto teor de cacau e isto evidentemente aumenta a demanda por mais cacau, ninguém pode negar que que essa estratégia nasceu na CEPLAC. A tecnologia gerada que com crédito disponível pode levar o produtor a produzir até 200 @/há, devidamente comprovada. O que falta é crédito para que os produtores possam aplicar essa tecnologia. E várias outras ações na diversificação regional a exemplo do agropolo de frutas no vale do Rio de Contas, a melicunicultura, a pupunha, e outras infinidades de culturas diversificadas.

Prossegue Wiesel “A indiferença não extrai uma resposta. A indiferença não é uma resposta. A indiferença não é um começo é um fim. E, portanto, a indiferença é sempre a amiga do inimigo, já que beneficia o agressor – nunca sua vítima, cuja dor é aumentada quando ele ou ela se sentem esquecidos. O prisioneiro político em sua cela, a criança faminta, os refugiados sem-teto – não responder à sua situação, não aliviar sua solidão por meio do oferecimento de um brilho de esperança é exilá-los da memória humana. E, ao negar a humanidade dessas pessoas, nós traímos a nossa.”

O parque tecnológico é uma saída, onde a ciência e tecnologia podem ser transformadas em produtos, processos e serviços gerando renda e emprego no Sul da Bahia. A CEPLAC em parceria com a UFSB, a UESC, os IFBahia e Baiano podem gerar o conhecimento necessário para atrair novas mentes, novos empresários para investirem no desenvolvimento sustentável dessa região. A CEPLAC dando prioridade à conservação produtiva em parceria com a secretaria de meio ambiente do governo do estado da Bahia e realizando sua extensão com ajuda dos colégios universitários da UFSB. Essa é a lógica da Superintendência da Bahia, é a lógica da CEPLAC. Essa parceria entre a CEPLAC e a UFSB tem de acontecer de uma forma simbiótica, mas respeitando a individualidade de cada uma. Porisso, a CEPLAC tem que contratar imediatamente, ser redirecionada aos seus objetivos estratégicos porque a sua missão já está bem clara e atual “Promover o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras de cacau”. Temos um plano estratégico realizado pela Symmetic que seguimos, este plano pode ser sempre atualizado pela comunidade regional. Mesmo com a parceria com a UFSB, a CEPLAC tem que contratar imediatamente, principalmente em áreas estratégicas como engenharia agrícola, quimíca e físico-química, nutrição, etc., pois corre o risco de ser fagocitada e acabar e isto não é bom. A economia regional sofreria um baque sem precedentes, pois deixaria de ter injetada em suas transações cerca de R$ 250 milhões anualmente só com folha de pessoal, se somarmos os investimentos esse valor pode chegar a R$ 300 milhões. Quantos filhos de grapiúnas já se formaram em agronomia, medicina veterinária, economia, etc e foram buscar empregos fora daqui, quando podiam ser contratados pela CEPLAC. Aí sim, será tarde demais, basta nos lamentarmos pela perda do ICB, do Sistema Copercacau, das empresas exportadoras a exemplo da Barreto de Araújo, etc. Amigos grapiúnas “Não existe região forte sem instituições fortes”.

Ainda segundo Wiesel, “Crentes em nossa tradição, alguns de nós sentiram que sermos abandonados pela humanidade naquele momento não era o ultimato. Nós sentíamos que ser abandonado por Deus era pior do que ser castigado por Ele. Melhor um Deus injusto a um indiferente.”

Temos vários deputados federais e estaduais eleitos com responsabilidades assumidas por esta região, sem contarmos com os deputados de outros estados onde existe CEPLAC, governadores, uma infinidade de Prefeitos, Vereadores, Rotary, Maçonaria, CDL, Câmaras setoriais, etc., está na hora de juntarmos forças em prol do fortalecimento da CEPLAC, melhorando seu orçamento, sua infraestrutura e contratando já. Em outros estados o apoio à CEPLAC é muito maior do que aqui, na Bahia. Precisamos aumentar esse apoio na Bahia onde a produção de cacau ainda responde por cerca de 70%. Termino este artigo usando a frase celebre do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy “Não perguntem o que seu país pode fazer por vocês; perguntem o que vocês podem fazer por seu país”. Então digo “Não perguntem o que a CEPLAC pode fazer por vocês; perguntem o que vocês podem fazer pelo fortalecimento da CEPLAC”.

  • Antonio da Costa Zugaib - Técnico em Planejamento da CEPLAC e Profo Do Departamento de Economia da UESC.
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